Desafios do Norte: evento debate produção mineral da maior região do país

O Brasil faturou cerca de R$ 209 bilhões com a produção mineral em 2020, o que representa aumento de 36% na comparação com o ano anterior, de acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). E boa parte do sucesso desse setor se deve aos estados da região Norte do país, responsáveis por quase metade dessa arrecadação. 

É por isso que a Metso Outotec e a Revista Brasil Mineral promovem, entre 15 e 24 de junho, a partir das 14h, a primeira edição do evento ‘Desafios do Norte’. A iniciativa, que vai ocorrer de modo virtual, vai debater a produção mineral dos estados da maior região brasileira. 

Segundo Maria Amélia Enriquez, especialista em Economia Mineral e Desenvolvimento Regional, o potencial de crescimento da mineração na região Norte, com destaque para o Pará, é enorme. “Há um potencial de expansão das áreas que estão mineradas e de novos empreendimentos nas áreas pesquisadas. Eu diria que é um sucesso para o Brasil, porque ela permite a geração de divisas, que é tão importante para o equilíbrio do balanço de pagamentos”, avalia. 

No entanto, ela indica que é necessário buscar, também, desenvolvimento a partir dessa atividade. “A mineração pode se converter em uma plataforma importante de desenvolvimento econômico para a região e não apenas geradora de divisas para o Brasil e de lucro para os acionistas das grandes companhias”, complementa. 

Perspectivas

O primeiro painel do evento, marcado para 15 de junho, vai debater justamente a questão levantada pela professora, ou seja, quais são as “Perspectivas Econômicas e de Desenvolvimento” para a mineração no Norte do Brasil. 

O geólogo Elder Prata Salomão, presidente da Geos e ex-diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), vai apresentar o painel. O debate vai contar com a participação do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (SEDEME) do Pará, José Fernando de Mendonça Gomes Jr., e do presidente do Conselho Diretor do Ibram, Wilson Nelio Brumer.  

Maria Amélia explica que o Pará é, sem dúvidas, o grande estado em mineração na região Norte. Cerca de 98% do valor arrecadado com a produção nortista vem de lá. E tal destaque se dá não apenas a nível regional, mas nacional também. De acordo com o Ibram, dos R$ 209 bilhões que o país faturou com a mineração em 2020, 46% são graças ao Pará, o que equivale a R$ 97 bilhões. 

Ela diz que nos últimos 20 anos a exportação do estado saltou de US$ 1 bi para US$ 20 bi. “Esse valor é maior do que o PIB dos 90 países mais pobres. É um esforço muito significativo, que representa em torno de 10% das exportações brasileiras. Quando a gente considera que o Pará representa pouco mais de 2% do PIB nacional, é um efeito bastante desproporcional”, diz. 

E as expectativas de expansão da mineração no estado e na região não param por aí, segundo a especialista. Atualmente, o Pará produz cerca de 200 milhões de toneladas de minério de ferro — principal produto mineral brasileiro —, mas em quatro anos a capacidade produtiva deve bater as 260 milhões de toneladas. 

“É um aumento de capacidade considerável, mas além do minério de ferro, tem previsões de investimento na área do cobre, da bauxita, do ouro, do líquido manganês”, cita. 

Pequenos e médios negócios

Já no dia 18 de junho, o segundo painel será conduzido pelo professor Dr. Giorgio De Tomi. Ele é professor do Departamento de Minas e Petróleo da Escola Politécnica e diretor do Núcleo de Pesquisa para a Pequena Mineração Responsável, ambos na Universidade de São Paulo (USP). O tema será “O papel das pequenas e médias mineradoras na produção atual da região”. 

Participam o presidente do Conselho Executivo da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral (ABPM), Luis Mauricio Ferraiuoli Azevedo, e o ex-secretário de Mineração do Pará e diretor de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ronaldo Lima.

Segundo o professor Giorgio, engana-se quem acha que a mineração é negócio apenas para multinacionais e empresas de grande porte. Segundo ele, 98% dos títulos minerários concedidos pela ANM são para empresas de micro, pequeno e médio porte. 

“Claro que em termos de quantidade isso não é proporcional, porque um título minerário da grande mineração cobre muito volume de material, de produção, emprego, movimentação da economia, enquanto a micro, pequena e a média têm um impacto menor. Mas em termos de títulos minerários é uma atividade muito comum e que está cada vez mais presente na Região Norte”, avalia. 

A explicação para esse cenário, ele diz, é a mudança da matriz energética mundial, que tende para fontes de energia renováveis em detrimento dos combustíveis fósseis. 

“Os bens minerais vão fomentar essa mudança da matriz energética e muito do suprimento desses itens vai vir de pequena e média mineração. Está difícil achar novos depósitos que a gente chama de ‘classe mundial de grande porte’. Muito desse suprimento vai vir de depósitos de médio e pequeno porte e que, portanto, serão desenvolvidos pela mineração de médio e pequeno porte”, aposta. 

Desafios do Norte

O evento também vai promover quatro encontros técnicos, entre 21 e 24 de junho, cujos focos serão: 

  • Tecnologias para mineração, incluindo sensoriamento de equipamentos e eficiência energética; 
  • Peneiramento eficiente, focado em como aumentar a eficiência em materiais pegajosos e em telas de borracha de alta resiliência; 
  • Soluções de desgaste, apresentando como aumentar a vida útil dos seus equipamentos, além de aumentar a segurança em campo;
  • Soluções para filtragem e modernização de células de flotação. 

A inscrição é gratuita e vai até 15 de junho por meio do site: mogroup.com/br/eventos/2021/br-desafios-do-norte



Fonte: Brasil 61

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