Cartas dos internautas

carta 1 / carta 2/carta 3

 

 Turista assaltada perto da igreja de São José

 Muito se tem publicado sobre a péssima situação do patrimônio arquitetônico de Ouro Preto. Concordo que medidas urgentes devam ser tomadas no sentido da preservação do mesmo, no entanto, existe outro patrimônio, talvez mais negligenciado, que não tem sido mencionado: o patrimônio humano, as pessoas que moram na cidade de Ouro Preto e no seuentorno.

      No dia 28 de dezembro de 2002, às 8 e meia da manhã, fui covardemente agredida e assaltada em frente à Igreja de São José por dois rapazes. O que mais me chocou, porém, foi a indiferença de um passante que continuou calmamente a subir a ladeira  como se aquela cena de violência urbana típica degrandes cidades já fosse corriqueira e demasiado banal para interromper sua rotina. Aliás, já tinha sido advertida por umguia local a não visitar aquela igreja ( e também a não me afastar muito das imediações da praça Tiradentes, de dia ou à noite! ) já que muitos assaltos a turistas estavam acontecendo naquela área, porém nunca iria imaginar que isso pudesse ocorrer já àquela hora da manhã...e, mais trágico, que a população daquela outrora calma cidade do interior já estivesse contaminada pelo vírus do  egoísmo mais perverso, tão comum das grandes cidades.

      Atrás dessa igreja, pelo jeito "point" tradicional de assaltos, existe um quartel da polícia ( lembro que os policiais alegaram que "não teriam tempo de ficar vigiando um monumento"...de fato não há policiais perto de qualquer monumento histórico! ). Os dois rapazes ( de 16 anos ) acabaram sendo capturados. Na delegacia, soube que eles eram primos, que já tinham contato com o crack e que seus pais (que eram trabalhadores ) moravam bem perto do local do crime, ou seja, dentro do centro histórico da cidade. O delegado de plantão, além de queixar-se ( como é de praxe nessas situações ) da insuficiência de homens que possam garantir a segurança dos visitantes, confessou que ainda não tinha visto uma cidade com "tantos ladrões" e contou vários casos (também relatados pelos moradores ) de assaltos com agressões violentas a turistas, nacionais e estrangeiros.

      Naquela mesma época, a linda Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia (Mercês de Cima)estava fechada à visitação pública até que fosse concluído o inquérito para a apuração do assassinato de uma jovem estudante universitária.Ela tinha sido encontrada morta em cima de uma das sepulturas no cemitério atrás da igreja, vítima de uma orgia macabra ocorrida em uma república de estudantes universitários, com muito álcool e outras drogas. Soube que durante a comemoração de uma festa tradicional da cidade, outra república tinha sido interditada pela polícia em função da quantidade de drogas ilícitas encontradas e que o consumo de álcool na cidade - não só por parte dos estudantes -é altíssimo.

     Na minha opinião, muito mais grave do que a dilapidação e abandono criminoso do nosso patrimônio cultural e histórico, é a situação de "invisibilidade" em que vive a população local.  Não adianta cuidar das casas e igrejas de Ouro Preto se o seu mais importante e precioso patrimônio, seus habitantes, encontra-se entregue à vida vazia e violenta das drogas lícitas ou não, do individualismo perverso que embrutece as pessoas, do desemprego, da falta de segurança para todos.

      Desta forma, além de projetos que visem a proteção da sua arquitetura, urge que o poder público ( municipal, estadual e federal )desenvolva  programas sociais no sentido de proporcionar alternativas de emprego e lazer principalmente  para o crescente número de jovens habitantes da periferia do centro histórico, aproveitamento e integração dos estudantes universitários em programas de ensino e alfabetização, aumento do efetivo policial que permita não só ao morador e o turista sentirem-se seguros, como também o combate ferrenho ao tráfico de drogas na região

"Valeria Amorim, de Niterói-RJ".

HOME


SEGUINTE

 

             HOME            

lique aqui  para adquirircom foto de Ouro Preto

Adquira, leia, comente e divulgue o livro BANDA DE MÚSICA, a "Alma da Comunidade"    

Home***Quem somos*** cidade***Hotéis/pousadas***Distritos***Atualidades***Cultura***Notícias

Pau na moleira***Textos***Curiosidades***Manual de viagem***Links úteis***Pesquisa***Negócios***Fale conosco