Potencial mineral da Amazônia é comparado às principais regiões produtoras de minérios do mundo

“A vasta superfície da Amazônia mostra potencial mineral comparado às principais regiões produtoras de bens minerais do mundo. É magnífica sobre todas as dimensões”. A afirmação é do geólogo e conselheiro da Brasil Mineral, Elmer Prata Salomão, um dos participantes de um evento virtual que discutiu a mineração na região amazônica nesta terça-feira (15).
 
O webinar Perspectivas Econômicas e Desenvolvimento para a Mineração no Norte do Brasil foi promovido pela Metso Outotec e a Revista Brasil Mineral, com participação ainda do presidente do Conselho Diretor do Ibram, Wilson Nelio Brumer, e do Diretor de Geologia, Mineração e Transformação Mineral da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará (Sedeme), Ronaldo Lima.
 
Os debatedores exploraram o contexto mineral da região da Amazônia destacando as capacidades dessa área e os benefícios para a população. Elmer lembrou da riqueza observada no local citando exemplos de substâncias. 
 
“A mineração caminha, inexoravelmente, em direção à Amazônia há várias décadas por várias razões. Primeiro, porque é uma zona de fronteira ainda desconhecida, inexplorada ao seu ponto de vista do conhecimento geológico. Hoje, no Brasil, encontram-se na Amazônia as maiores jazidas brasileiras de ferro, de alumínio, de manganês, de estanho, de níquel, de cobre, de potássio. São jazidas maiores do que todas as outras que encontramos no território brasileiro.” 

Meio ambiente

O geólogo ressaltou que o pressuposto básico do desenvolvimento mineral na Amazônia é “desenvolver mantendo a floresta em pé”. Ou seja, para ele, esse tema não vai contra diretrizes ambientalistas. “Esse é o mais seguro e adequado caminho para o desenvolvimento da Amazônia”, afirmou, apresentando dados em sequência de comparação com atividades como a plantação de soja.
 
Elmer Prata levantou cálculos de 2017, quando foram produzidos na Amazônia 345 milhões de toneladas de minério bruto, com um total de material removido do território Amazônico de cerca de 307 milhões de metros cúbicos. Ele dimensionou esse volume concentrado em um único buraco, que teria dimensão de 615 hectares, com uma área quadrada de 2.480 metros de lado e profundidade de 50 metros.
 
“Isso é, teoricamente, aquilo que foi desmatado e desmobilizado do solo amazônico para produzir uma quantidade de minério que valeu, em 2017, US$ 18 bilhões. Em média, cada hectare desflorestado pela mineração produziu US$ 20,6 milhões por hectare lavrado. Um hectare plantado com soja, totalmente desmatado, produz cerca de três toneladas de soja, com cotação de US$ 540, resultando em uma receita de US$ 1.620 por hectare. Ou seja, 0,008% do que pode render a mineração na mesma superfície.”
 
O geólogo pontuou que, apesar da estigmatização da mineração como atividade predatória, os fatos decorridos desse serviço levam a outra percepção. Ele lembrou que a mineração é praticada sob fiscalização federal, amparada em tecnologias adequadas ao controle e à recuperação ambiental. 
 
“Na realidade, a mineração atende plenamente ao que se espera para o desenvolvimento da região. Ela possui alta densidade econômica, ela cria condições para melhorar a qualidade de vida das comunidades locais. O IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] das cidades mineradoras mostra isso. Ela responde a inquestionável fertilidade mineral da Amazônia, cujo jazimento suporta desde a garimpagem extrativista até minas de classe internacional. Ou seja, tudo o que nós podemos imaginar que pode ser benéfico para uma região que não pode ser desmatada, que tem que conservar a sua biodiversidade.”
 
Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do Ibram, também defendeu essa atividade na região pedindo a união de forças contra serviços ilegais de garimpo. “Devemos nos juntar para combater a mineração ilegal na mineração. O que existe hoje são 432 titulares ou empresas formais de mineração. Nós temos hoje cerca de 59 substâncias produzidas dessa região e temos 184 municípios produtores. Hoje, certamente, como bem dito pelo Elmer, o nível de desenvolvimento humano desses municípios é melhor do que a média da região.”

Próximas programações

Na próxima sexta-feira, dia 18 de junho, o webinar contará com o segundo painel, cujo tema será “O papel das pequenas e médias mineradoras na produção atual da região”. O evento será conduzido pelo Prof. Dr. Giorgio De Tomi, professor do Departamento de Minas e Petróleo da Escola Politécnica e diretor do Núcleo de Pesquisa para a Pequena Mineração Responsável, ambos na Universidade de São Paulo (USP). 
 
O evento também vai promover quatro encontros técnicos, entre 21 e 24 de junho, com foco em: tecnologias para mineração, peneiramento eficiente, soluções de desgaste e soluções para filtragem e modernização de células de flotação. 
 
A inscrição é gratuita e pode ser realizada no site mogroup.com/br/eventos/2021/br-desafios-do-norte, mas se encerra nesta terça-feira (15).



Fonte: Brasil 61

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