“Elevação atual da taxa de juros é bastante expressiva”, diz professor de economia

Aécio Alves de Oliveira

Os juros básicos da economia subiram pela terceira vez consecutiva, dessa vez com um aumento de 0,75 ponto percentual. A decisão do Banco Central foi anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a taxa Selic de 3,5% para 4,25% ao ano. 
 
Para entender esses dados e como eles afetam o dia a dia do brasileiro, o Entrevistado da Semana do portal Brasil61.com recebeu Aécio Alves de Oliveira, mestre em economia, doutor em sociologia e professor do Curso de Economia Ecológica da Universidade Federal do Ceará (UFC). 
 
O especialista afirma que essa é uma elevação “bastante expressiva”, e lembra que o Copom normalmente aumenta 0,25 ou 0,50 ponto percentual. “No fundo, essa taxa é o custo dos empréstimos, o custo da dívida pública. De certa maneira, é isso. Os economistas acreditam que, quando a inflação acelera, é preciso aumentar essa taxa de juros para aumentar o custo do empréstimo. Quer dizer, uma taxa mais elevada contém um pouco mais os emprestadores. Então, qual é o diagnóstico? A inflação acelerando significa que as pessoas estão consumindo mais.”
 
O Banco Central indica que deve seguir elevando a taxa Selic na próxima reunião, marcada para os dias 3 e 4 de agosto. Em comunicado, o Copom destacou que a pressão inflacionária se revela maior que o esperado, “sobretudo entre os bens industriais”. 

“Para a ‘dona Maria’, que não tem a obrigação de entender, evidente, porque ela não foi preparada para isso, é o seguinte: isso tem implicações várias. Os preços recebem uma pressão. Porque, no lugar de conter a inflação, pode até acelerar. Tudo isso é possibilidade. Então, pode aumentar o custo de vida. Se ela tem algum empréstimo à base de juros reajustáveis, variáveis, vai ter repercussão no pagamento. Se ela tiver uma casa, porventura, um financiamento de imóvel, provavelmente, dependendo do formato do modelo do financiamento, pode ter implicação no aumento da prestaçãozinha”.

 Com esse novo aumento de juros, a Selic continua em ciclo de alta, diferente do que ocorreu nos últimos anos, em que ela não sofreu elevações. A taxa chegou a alcançar 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica da pandemia da Covid-19, o menor nível desde 1986, início da série histórica. 
 
O professor da UFC ressalta como situações políticas e sociais afetam esses dados, lembrando que a pandemia tem influência direta no momento econômico atual do Brasil. “A pandemia afetou o mundo todo. A diferença é de enfrentamento. No começo, ninguém conhecia o vírus, todo mundo sabe disso. Mas todo mundo sabe que manter as atividades tais do jeito que elas estavam antes é um problema, porque aumenta a taxa de contaminação. A transmissão se dá diretamente entre duas pessoas que estiverem próximas. Onde fechou drasticamente [o comércio], a economia começou a se recuperar também antes. Isso é um dado da realidade.”
 
Confira a entrevista completa com Aécio Alves de Oliveira:
 

Fonte: Brasil 61

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