MS: Doações de sangue caem 10% em 2020, diz Hemosul

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A pandemia da Covid-19 afastou milhares de doadores dos bancos de sangue do Mato Grosso do Sul. O número de coletas teve uma queda de cerca de 10% no ano passado em relação a 2019, de acordo com a Rede Hemosul. O percentual representa cinco mil bolsas de sangue a menos para atender toda a demanda hospitalar do estado. É como se todas as unidades do hemocentro ficassem fechadas durante um mês, segundo a instituição.

Para doar sangue, o candidato pode se dirigir até o hemocentro coordenador que fica em Campo Grande. A unidade fica na Avenida Fernando Correa da Costa, número 1304, bairro Centro. O telefone para contato é o (67) 3312-1500. Além dessa unidade, o Hemosul possui hemocentros regionais nos municípios de Dourados, Três Lagoas, Colinos, Pontaporã, Paranaíba e Coxim. 

Cerca de 2,2% da população de Mato Grosso do Sul é doadora de sangue. Na capital Campo Grande, o indicador é de 3%. A taxa, no entanto, é menor do que a média ideal recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que varia entre 3% e 5% da população. A coordenadora da Rede Hemosul, Marli Vavas, faz um pedido para que os cidadãos se mobilizem e doem sangue.  

“Faça a sua doação de sangue e o cadastro de medula óssea, porque precisamos muito de vocês. A rede Hemosul está sempre de portas abertas para recebê-los.

Sempre falamos que somos só um elo entre o doador e o paciente, mas que nós ficamos aqui esperando porque sem vocês não podemos atender quem precisa.”
Ainda segundo o hemocentro, os estoques do banco de sangue estão em situação crítica. O nível do tipo “B negativo” está 75% abaixo do ideal. Já as tipagens “O positivo” e “O negativo” estão cerca de 40% abaixo do nível seguro.  

A instituição informou que a grande preocupação é em relação aos estoques de plaquetas, que estão em níveis de alerta. “Quando diminui tão significativamente a quantidade de pessoas que passam pelo hemocentro, acabamos não tendo plaquetas suficientes porque elas só duram cinco dias. Já as hemácias que duram, em média, 35 dias, dependendo da forma de coleta, têm um estoque melhor”, informou a assessoria de imprensa da Rede Hemosul.

A coordenadora lembra que o sangue é o único medicamento que não é possível encontrar em uma farmácia para ser adquirido. Em meio à pandemia, a necessidade de sangue é ainda maior, pois, além dos pacientes com Covid-19, também é preciso atender pacientes com doenças graves ou que vão passar por procedimentos médicos e cirúrgicos. 

“É muito importante que a população em geral tenha consciência da importância da doação de sangue. Muitos pacientes dependem da boa vontade de outro ser humano que faça esse gesto altruísta para ajudar a amenizar o sofrimento, melhorar a saúde ou até proporcionar a vida para essas pessoas.”

Solidariedade

O aposentado Pedro Mariusso mora no bairro Parque Laranjais, em Campo Grande. Ele é doador de sangue regular há 50 anos, desde o início das atividades da Rede Hemosul, mas já praticava o gesto em outros estados. Pedro conta que a vontade de ajudar as pessoas surgiu na sua adolescência depois que seu pai faleceu por conta de uma leucemia.

“O que me levou a praticar esse ato foi a morte do meu pai que contraiu uma leucemia. Na época, eu tinha 15 anos de idade, mas eu acompanhei tudo até o último momento. Ele [o pai] sobrevivia através de doações, pois na época não tinha muito recurso igual tem hoje.”
A primeira oportunidade que Pedro teve de retribuir a solidariedade que tiveram com seu pai foi aos 18 anos, quando entrou para o Exército. 

“Entrei para o quartel do exército e um colega comentou comigo que um primo estava internado no hospital com leucemia, com a mesma doença que vitimou o meu pai. Ele precisava urgentemente de doador de sangue. Então, eu procurei o hospital e fiz a minha primeira doação.” 

Desde então, o aposentado não parou mais e comparece ao hemocentro quatro vezes ao ano. Ele conta que ao longo das últimas cinco décadas fez mais de 200 doações. Neste ano, Pedro completou 70 anos, idade máxima para doação de sangue de acordo com o Ministério da Saúde, e se despede do Hemosul. Mas continua incentivando outras pessoas a se tornarem doadores regulares. 

“Não é só um médico que salva a vida de uma pessoa. Se o médico não tiver a colaboração de um doador para curar uma pessoa, ele não vai conseguir. Gostaria de dizer para as pessoas que tem condições de doar e ainda não fizeram, procure um hemocentro e faça esse ato nobre, digno e abençoado por Deus que é a doação de sangue.”

Pedro doando sangue (Arquivo pessoal)

Importância da doação regular

A doação é voluntária e pode beneficiar milhares de pessoas, independente do parentesco. De acordo com o Ministério da Saúde, são realizadas três milhões de doações de sangue por ano na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, destaca a importância da doação regular.

“Vamos aproveitar essa oportunidade para reafirmar não só as ações de enfrentamento à pandemia, mas também a necessidade contínua de cumprir o preceito constitucional da saúde como direito fundamental. O sangue, ao longo do tempo, simboliza a vida. E nesse sentido, é importante a doação regular de sangue. Doe sangue regularmente, com a nossa união, a vida se completa.”

Onde doar sangue no Mato Grosso do Sul

A Rede Hemosul possui unidades de coleta em seis municípios do Mato Grosso do Sul.  São eles: Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Pontaporã, Paranaíba e Coxim. Além de um posto localizado na Santa Casa, na capital. Procure uma unidade mais próxima da sua cidade e faça a sua doação de sangue e medula óssea. Para saber mais informações sobre endereços e horários de funcionamento das unidades, veja o mapa abaixo.

Critérios para doação de sangue e medula óssea

De acordo com a Coordenação-Geral de Sangue e Derivados do Ministério da Saúde, o procedimento para doação de sangue é simples. Primeiro se faz o cadastro, aferição de sinais vitais, teste de anemia, triagem clínica, coleta de sangue e depois o lanche. Isso tudo leva em média 40 minutos.

Vale lembrar que até mesmo quem foi infectado pelo coronavírus pode doar sangue e medula óssea. No entanto, é necessário aguardar 30 dias após completa recuperação da doença. Quem teve contato com pessoas infectadas também precisa esperar 14 dias para poder fazer a doação, apresentando RT-PCR negativo e ausência de sintomas. Já os vacinados, devem esperar o tempo de imunização que vai depender da marca do imunizante.

Para doar sangue é necessário ter entre 16 e 69 anos de idade e pesar no mínimo 50 quilos. Mulheres podem doar até três vezes ao ano com intervalo de 3 meses entre as doações. Já os homens podem doar até quatro, com intervalo de 2 meses entre as doações. A doação é voluntária e uma bolsa de apenas 450mL de sangue pode ajudar até quatro pessoas.

Candidatos a doação de medula óssea devem ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado de saúde e não apresentar doença infecciosa ou incapacitante. Segundo o Redome, algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso. 

Doar sangue e medula é seguro! Com a pandemia, todos os protocolos de contenção contra a Covid-19 estão sendo realizados. No dia da doação, será preciso apresentar documento de identificação com foto. Para saber mais sobre os critérios e restrições para doação de sangue e de medula óssea, acesse o site hemosul.ms.gov.br/.

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Fonte: Brasil 61

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