PI: Doações de sangue caem 30% com a pandemia

Com a pandemia, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí (Hemopi) aponta uma queda de cerca de 30% das doações de sangue no estado. No recorte nacional, as doações tiveram uma redução de 10%, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com o Hemopi, foram registradas 49.480 doações em 2019. Já em 2020, foram coletadas aproximadamente 40 mil bolsas de sangue em toda hemorrede. No primeiro semestre deste ano, foram contabilizadas 24.187 doações. 

Em Teresina, está localizado o hemocentro coordenador, que fica na rua Primeiro de Maio, número 235, Centro (Sul). O telefone para contato é (86) 3221-8320. Além da capital, o Hemopi possui hemocentros regionais em Floriano, Picos e Parnaíba.   

O diretor-geral do Hemopi, Jurandir Martins, faz um apelo para que a população doe sangue e ajude a salvar vidas. “A gente pede para que todo piauiense se torne cada vez mais adepto a doação de sangue. Sabemos que precisamos conscientizar sobre a importância de ser um doador de sangue fidelizado e vim de maneira espontânea e altruísta doar para que tenhamos condições de ter estoque de sangue para atender toda a demanda.”

Ao todo, o hemocentro possui 200 mil doadores cadastrados para doação de sangue e 94.121 candidatos para doação de medula óssea. Apesar de o indicador parecer positivo, é preciso que o número seja ampliado para atender toda a população piauiense com segurança. O Hemopi é responsável pela demanda transfusional de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e parte da rede privada hospitalar.

“No Piauí, nós somos o único hemocentro e temos a necessidade de atender pacientes da rede pública e privada. É importante que a gente incentive cada vez mais a doação de sangue para que possamos atender toda essa demanda hospitalar que é constante e regular”, explica Jurandir. 

O hemocentro da capital Teresina é responsável por 75% das coletas, seguido das unidades regionais de Parnaíba, Floriano e Picos. Os estoques de toda hemorrede estão dentro dos limites estabelecidos no momento. 

O diretor-geral do Hemopi explica que, ao contrário do que muita gente pensa, é totalmente seguro doar sangue em meio à pandemia. O Hemopi tem tomado todas as medidas sanitárias para contenção do novo coronavírus. Entre elas, a possibilidade de fazer um agendamento por telefone do dia e horário para doação para evitar aglomerações.

“Dentro da sala de coleta reduzimos o número de cadeiras para manter o distanciamento social. Na parte externa do hemocentro, colocamos tanto em Teresina quanto no interior do estado um servidor treinado para fazer uma abordagem inicial ao candidato à doação para saber se apresenta sintomas gripais antes de entrar no hemocentro.” 

Exemplo de solidariedade

A professora Jéssica Larissa de Carvalho, 31 anos, mora no município de Água Branca, a 100 quilômetros de Teresina. Ela conta que é doadora de sangue desde os 18 anos de idade. Para ela, doar representa um gesto de amor ao próximo. 

“Eu penso que quem está ali precisando de doação de sangue não está ali por escolha. Pode ser a sua avó, sua mãe, seu irmão, ou seu filho. Esse tipo de coisa não dá para prever. Você só tem que pensar no próximo”, disse. 

Jéssica dá aulas de espanhol para o ensino médio na escola Monsenhor Boson. Ela diz que iniciou uma campanha para incentivar os estudantes a doarem sangue e incentivar os parentes ou conhecidos a também aderirem ao gesto de solidariedade. 

“Essa campanha consiste em incentivar os meninos com 16 anos, com consentimento dos pais, e os maiores de 18 anos que se sentirem aptos a doarem sangue.”

A técnica em geoprocessamento, Núbia Araújo, 28 anos, mora em Teresina e começou a doar sangue há dois anos. Ela conta que o desejo de se tornar doadora surgiu depois que uma amiga sofreu um acidente e precisou de transfusão sanguínea. 

“Vendo aquela situação e sem poder ajudar, porque na época ainda não tinha peso mínimo para ser doadora. Desde então, quis ser doadora e coloquei como um projeto de vida. Comecei a fazer musculação para poder atingir o peso.”

Desde 2019, Núbia comparece no Hemopi a cada 90 dias para fazer a sua doação de sangue. Com suas doações, a técnica em geoprocessamento ajudou a mudar o destino de 24 pessoas diferentes, tendo em vista que uma única doação pode salvar até quatro vidas. 

“A cada doação você se sente uma pessoa humanamente melhor, mais importante e necessária porque desperta a empatia. Além disso, doar sangue também traz benefícios para a sua saúde como a redução do risco de ter um câncer e ter problemas de coração, pois doar repõe as células vermelhas e isso ajuda a impedir o entupimento das artérias.”

Jéssica doando sangue (Arquivo pessoal)

Importância da doação regular 

A doação é voluntária e pode beneficiar milhares de pessoas, independente do parentesco. De acordo com o Ministério da Saúde, são realizadas três milhões de doações de sangue por ano na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, destaca a importância da doação regular.

“Vamos aproveitar essa oportunidade para reafirmar não só as ações de enfrentamento à pandemia, mas também a necessidade contínua de cumprir o preceito constitucional da saúde como direito fundamental. O sangue, ao longo do tempo, simboliza a vida. E nesse sentido, é importante a doação regular de sangue. Doe sangue regularmente, com a nossa união, a vida se completa.”

Onde doar sangue no Piauí

O Hemopi possui unidades de coleta de sangue e medula óssea em quatro municípios do Piauí. São eles: Teresina, Parnaíba, Floriano e Picos. Procure uma unidade mais próxima da sua cidade e faça a sua doação. É preciso fazer um agendamento prévio por telefone. No dia da doação, será preciso apresentar documento de identificação com foto. Para saber mais informações sobre endereços e horários de funcionamento das unidades, veja o mapa abaixo.

Critérios para doação de sangue e medula óssea

De acordo com a Coordenação-Geral de Sangue e Derivados do Ministério da Saúde, o procedimento para doação de sangue é simples. Primeiro se faz o cadastro, aferição de sinais vitais, teste de anemia, triagem clínica, coleta de sangue e depois o lanche. Isso tudo leva em média 40 minutos.

Vale lembrar que até mesmo quem foi infectado pelo coronavírus pode doar sangue e medula óssea. No entanto, é necessário aguardar 30 dias após completa recuperação da doença. Quem teve contato com pessoas infectadas também precisa esperar 14 dias para poder fazer a doação, apresentando RT-PCR negativo e ausência de sintomas. Já os vacinados, devem esperar o tempo de imunização que vai depender da marca do imunizante.

Para doar sangue é necessário ter entre 16 e 69 anos de idade e pesar no mínimo 50 quilos. Mulheres podem doar até três vezes ao ano com intervalo de 3 meses entre as doações. Já os homens podem doar até quatro, com intervalo de 2 meses entre as doações. A doação é voluntária e uma bolsa de apenas 450mL de sangue pode ajudar até quatro pessoas.

Candidatos a doação de medula óssea devem ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado de saúde e não apresentar doença infecciosa ou incapacitante. Segundo o Redome, algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso. 

Doar sangue e medula é seguro! Com a pandemia, todos os protocolos de contenção contra a Covid-19 estão sendo realizados. No dia da doação, será preciso apresentar documento de identificação com foto. Para saber mais sobre os critérios e restrições para doação de sangue e de medula óssea, acesse o site hemopi.pi.gov.br. 

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Fonte: Brasil 61

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