Crime contra a comunidade

A população de Cachoeira do Campo/Ouro Preto-MG e região circunvizinha ficou sem água do dia 23 até a noite do dia 25 de fevereiro/22, não porque tenha ela faltado para a distribuição, porém, faltou juízo a alguém ou grupo que luta contra a Saneouro, empresa concessionário dos serviços de água e esgoto no município de Ouro Preto.

foto baixada do site da Saneouro

Na noite do dia 23, a casa de bombas da ETA do Funil foi invadida e teve sua estrutura elétrica toda inutilizada. Insanidade, estupidez e ignorância, porque o atentado acabou não sendo contra a empresa, que pode repor o equipamento e lançar aos custos de operação que, no final, os consumidores pagarão.

Mas pior que pagar é ficar sem água, um transtorno  na casa de qualquer um especialmente os mais pobres que, nem sempre têm reservatório suficiente para ficar algumas sem o abastecimento.

Supostas irregularidades na concessão

Correm informações desencontradas sobre irregularidades no contrato, que rege a concessão do serviço, o que requer investigação, já em andamento, mas, daí a atos de sabotagem contra o sistema é coisa que ninguém, com um mínimo de bom senso, pode aceitar.

Ouro Preto talvez seja o único município, ou um dos poucos, que ainda não paga pelo consumo de água. Pagava-se apenas uma taxa anual, junto ao IPTU; há alguns anos, por meio de uma autarquia municipal, passou-se a cobrar pequena taxa mensal.

A autarquia foi extinta e os serviços passaram a ser executados mediante concessão pública à Saneouro, que dá continuidade à cobrança de taxa, na casa dos vinte reais, em média, enquanto não se inicia a cobrança por consumo. Os hidrômetros já estão instalados, crê-se que na maior parte.

Fim dos 300 anos de gratuidade

Diz ditado popular que não há mal, que nunca se acabe, nem bem que dure para sempre! No caso desse privilégio dos ouro-pretanos, tanto para os “trezentões”, quanto para os “da roça”, findou o ter água de graça.

Trezentos anos com água de graça deixaram a população mal-acostumada e orgulhosa em dizer que aqui não se pagava – e ainda não se paga – pelo consumo de água, fator que muito tem contribuído para a resistência do povo à ideia do serviço pago.

Acontece que agora o saneamento básico está sob regulamentação nacional e isso implica em que todos paguem sua parte, o que é justo e cria o direito de exigir o serviço, com qualidade, para todos.

Grande parte da população brasileira ainda não é servida de água tratada e parte muito maior não sabe o que é coleta de esgotos. O resultado disso é baixa qualidade de vida e má saúde!

Oportunismo político

Quando o povo se rebela em torno de algo, há sempre oportunistas de plantão, políticos inescrupulosos prontos para arrebatar a bandeira e botar mais lenha na fogueira. Se há suspeitas de irregularidades na concessão, que se investigue, apure e denuncie à Justiça, lugar comum para a solução das dúvidas e querelas.

O que não pode e não se aceita é o ato perpetrado contra a população; ato covarde, pois o povo, embora, em parte,  não esteja satisfeita com a concessionária, não é parte da briga que se trava, senão como vítima, desde o início.

Tentativa de genocídio

Curioso é que a todo momento se ouve alguém atribuir crime de genocídio ao presidente da República, em relação às mais de seiscentas mil mortes causadas pela pandemia, mesmo tendo-lhe sido tirada a competência, na administração da crise sanitária, delegada aos governos locais.

Entretanto, quase certo de que, pertencentes ao grupo dos que gritam “genocida”, os executores da sabotagem não pensaram que poderiam estar a cometer tentativa do mesmo crime contra a população local. Pois é! Pimenta nos olhos dos outros é refresco. Agora podem ser acusados, de fato, perante o tribunal, por tentativa de genocídio contra população da região! Sim, pode-se dizer que foi tentativa de genocídio; e isso exige investigação, apuração e reparação severa. Que não fique encoberto e livre de punição, como tantos outros crimes já ocorridos em Ouro Preto. Uma pessoa pode viver de 30 a 40 dias, sem comida, mas sem água, não passa dos 3 dias.

Outra curiosidade é que, apesar da gravidade do caso, o acontecido não está sendo divulgado como deveria, está sendo tratado quase como simples acidente. O fato foi um crime muito sério, consideradas as consequências que poderiam ter trazido aos consumidores.

Reverso da moeda

Há ainda a considerar o reverso da moeda. Se conseguiram (é quase certo que foi grupo de dois ou mais) entrar na casa de bombas e destruir o equipamento elétrico, é certo também que o local estava desguarnecido. Em tempos tenebrosos, como este que vivemos, não se compreende como a Saneouro não tem guarda-noturno, no local.

Centros de captação, tratamento e distribuição de água são locais que devem estar sob vigilância permanente, pois não se sabe o que pode acontecer se tais locais ficam à mercê de bandidos, psicopatas e outros inimigos coletivos.NGB

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