RR: Extensão do Linhão de Tucuruí beneficiará 650 mil pessoas que sofrem com apagões

Linha de transmissão de energia - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Desde que Roraima deixou de receber energia elétrica vinda da Venezuela, em 2019, o estado passou a ser 100% abastecido com energia de cinco termelétricas. Frequentemente, os roraimenses são surpreendidos por apagões. Uma das alternativas para melhorar o fornecimento de energia para os 652.713 moradores de Roraima estimados pelo Instituto Brasileiro de Geograf

ia e Estatística (IBGE), é a extensão do Linhão de Tucuruí do Pará até Roraima. Isso ligaria o estado ao Sistema Interligado Nacional (SIN). 

O professor de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), Ivan Camargo, destaca a importância da integração de Roraima ao SIN. “A única capital brasileira que não está conectada ao Sistema Interligado Nacional é Boa Vista. O estado de Roraima, portanto, será muito beneficiado por essa interconexão. De uma parte, ela aumenta a confiabilidade do sistema e, além disso, permite que ele desligue usinas termelétricas a óleo combustível, que são caríssimas e estão atualmente ligadas.”

Segundo dados mais recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a distribuidora Boa Vista registrou uma Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC) de 2,21 apagões em março de 2022. Isso significa que cada unidade consumidora sofreu mais de dois apagões no mês, considerando interrupções iguais ou superiores a três minutos.  

No entanto, em algumas regiões pode faltar energia mais vezes, como em Caroebe, que registrou 6,12 apagões por unidade consumidora no mês de março, e São Luiz do Anauá, com 5,74 interrupções de energia.

Evandilson Alves, diretor e locutor da rádio Anauá FM, conta como é a situação em Rorainópolis. “Hoje, por exemplo, nós temos programado mais um desligamento. Acontece sempre aqui no nosso município, infelizmente”. Segundo ele, os apagões impactam negativamente no dia-a-dia dos cidadãos e nos negócios.

“Imagina você em um domingo pela manhã, único dia que você está em casa, falta energia de 7h às 13h. Fora os negócios. Para nós que temos uma emissora de rádio, não temos um gerador próprio, nos causa um prejuízo muito grande, tanto com a responsabilidade que nós temos com o nosso ouvinte, como também com o nosso patrocinador que deixamos de divulgar.”

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o custo total do empreendimento do Linhão de Tucuruí é de cerca de R$ 2,3 bilhões, enquanto o custo da Conta de Consumo de Combustível, somente para compensar os custos de diesel e gás das termelétricas de Roraima, chega a quase R$ 2 bilhões por ano. 

Mas a obra depende da aprovação de um projeto de lei, pois precisará cruzar por terras indígenas para fazer a ligação. O projeto de lei complementar em tramitação na Câmara dos Deputados (PLP 275/2019) declara a passagem de linhas de transmissão de energia elétrica por terras indígenas como de relevante interesse público da União. O senador Vanderlan Cardoso (PSD-RR) afirma que o Linhão de Tucuruí vai beneficiar toda a população brasileira, com a redução dos custos de energia termelétrica.

“O benefício não é só para Roraima, é para todo o Brasil, já que hoje o consumidor brasileiro arca com parte das despesas, subsidiando o custo de energia em Roraima. Ressaltando que 122 quilômetros são de terras indígenas Waimiri Atroari e vai passar do lado da BR-174. Então não vai ter problema nenhum de desmatamento.”

O parlamentar também ressalta as melhorias que o estado receberá após a implantação da ligação com o SIN. “Isso também vai dar condições para que Roraima atraia mais investimentos, indústrias de transformação, já que o estado está avançando muito no agronegócio, mas precisa transformar esses produtos – a soja em óleo, farelo de soja, ter granjas – e precisa de ter uma energia de qualidade”, acrescenta.

Novo marco do setor elétrico pode reduzir impacto tarifário em 2022

Indenização

De acordo com o PLP, a linha de transmissão de energia deve atravessar as terras do povo Waimiri Atroari, na divisa entre Roraima e Amazonas, onde serão erguidas 250 torres de transmissão. Para isso, o texto assegura uma indenização às comunidades indígenas afetadas, sem prejuízo das demais compensações previstas em lei. A Associação Indígena Waimiri Atroari argumenta que a compensação é necessária devido ao impacto ambiental da obra.

O engenheiro Ivan Camargo concorda com a compensação aos impactos causados na região, mas considera que o benefício justifica a obra: “Eu considero um serviço público indispensável. Ligar o Sistema Interligado Nacional à capital do estado de Roraima vai trazer muitos benefícios, portanto, é uma exigência que o estado tem que impor para melhorar a qualidade de vida dos habitantes de Roraima”, defende.

Segundo o texto, cabe ao Poder Executivo regulamentar os procedimentos de consulta às comunidades e de cálculo da indenização. 

Fonte: Brasil 61

Desde que Roraima deixou de receber energia elétrica vinda da Venezuela, em 2019, o estado passou a ser 100% abastecido com energia de cinco termelétricas. Frequentemente, os roraimenses são surpreendidos por apagões. Uma das alternativas para melhorar o fornecimento de energia para os 652.713 moradores de Roraima estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a extensão do Linhão de Tucuruí do Pará até Roraima. Isso ligaria o estado ao Sistema Interligado Nacional (SIN). 

O professor de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), Ivan Camargo, destaca a importância da integração de Roraima ao SIN. “A única capital brasileira que não está conectada ao Sistema Interligado Nacional é Boa Vista. O estado de Roraima, portanto, será muito beneficiado por essa interconexão. De uma parte, ela aumenta a confiabilidade do sistema e, além disso, permite que ele desligue usinas termelétricas a óleo combustível, que são caríssimas e estão atualmente ligadas.”

Segundo dados mais recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a distribuidora Boa Vista registrou uma Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC) de 2,21 apagões em março de 2022. Isso significa que cada unidade consumidora sofreu mais de dois apagões no mês, considerando interrupções iguais ou superiores a três minutos.  

No entanto, em algumas regiões pode faltar energia mais vezes, como em Caroebe, que registrou 6,12 apagões por unidade consumidora no mês de março, e São Luiz do Anauá, com 5,74 interrupções de energia.

Evandilson Alves, diretor e locutor da rádio Anauá FM, conta como é a situação em Rorainópolis. “Hoje, por exemplo, nós temos programado mais um desligamento. Acontece sempre aqui no nosso município, infelizmente”. Segundo ele, os apagões impactam negativamente no dia-a-dia dos cidadãos e nos negócios.

“Imagina você em um domingo pela manhã, único dia que você está em casa, falta energia de 7h às 13h. Fora os negócios. Para nós que temos uma emissora de rádio, não temos um gerador próprio, nos causa um prejuízo muito grande, tanto com a responsabilidade que nós temos com o nosso ouvinte, como também com o nosso patrocinador que deixamos de divulgar.”

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o custo total do empreendimento do Linhão de Tucuruí é de cerca de R$ 2,3 bilhões, enquanto o custo da Conta de Consumo de Combustível, somente para compensar os custos de diesel e gás das termelétricas de Roraima, chega a quase R$ 2 bilhões por ano. 

Mas a obra depende da aprovação de um projeto de lei, pois precisará cruzar por terras indígenas para fazer a ligação. O projeto de lei complementar em tramitação na Câmara dos Deputados (PLP 275/2019) declara a passagem de linhas de transmissão de energia elétrica por terras indígenas como de relevante interesse público da União. O senador Vanderlan Cardoso (PSD-RR) afirma que o Linhão de Tucuruí vai beneficiar toda a população brasileira, com a redução dos custos de energia termelétrica.

“O benefício não é só para Roraima, é para todo o Brasil, já que hoje o consumidor brasileiro arca com parte das despesas, subsidiando o custo de energia em Roraima. Ressaltando que 122 quilômetros são de terras indígenas Waimiri Atroari e vai passar do lado da BR-174. Então não vai ter problema nenhum de desmatamento.”

O parlamentar também ressalta as melhorias que o estado receberá após a implantação da ligação com o SIN. “Isso também vai dar condições para que Roraima atraia mais investimentos, indústrias de transformação, já que o estado está avançando muito no agronegócio, mas precisa transformar esses produtos – a soja em óleo, farelo de soja, ter granjas – e precisa de ter uma energia de qualidade”, acrescenta.

Novo marco do setor elétrico pode reduzir impacto tarifário em 2022

Indenização

De acordo com o PLP, a linha de transmissão de energia deve atravessar as terras do povo Waimiri Atroari, na divisa entre Roraima e Amazonas, onde serão erguidas 250 torres de transmissão. Para isso, o texto assegura uma indenização às comunidades indígenas afetadas, sem prejuízo das demais compensações previstas em lei. A Associação Indígena Waimiri Atroari argumenta que a compensação é necessária devido ao impacto ambiental da obra.

O engenheiro Ivan Camargo concorda com a compensação aos impactos causados na região, mas considera que o benefício justifica a obra: “Eu considero um serviço público indispensável. Ligar o Sistema Interligado Nacional à capital do estado de Roraima vai trazer muitos benefícios, portanto, é uma exigência que o estado tem que impor para melhorar a qualidade de vida dos habitantes de Roraima”, defende.

Segundo o texto, cabe ao Poder Executivo regulamentar os procedimentos de consulta às comunidades e de cálculo da indenização. 

Fonte: Brasil 61

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