Hidrogênio verde: plantas de produção recebem primeiras certificações de hidrogênio sustentável

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) emitiu os primeiros certificados de hidrogênio sustentável para as plantas de produção da EDP e de Furnas. O processo de certificação diz respeito ao mercado voluntário, ou seja, os próprios compradores definem quais as regras para avaliar os critérios de sustentabilidade do produto.

O gerente de Análise e Informações ao Mercado da CCEE, Ricardo Gedra, explica que a certificação do hidrogênio verde é fundamental para que  esse mercado possa se desenvolver. “Todo empreendedor que quer investir, construir uma planta de produção de hidrogênio e comercializar isso no mercado consegue carregar com esse produto o atributo ambiental, que é algo que vemos em muitos setores da indústria, muitos produtos.”

Gedra explica como funciona essa certificação: “Quando nós vamos na prateleira comprar é comum nós vermos que tem um selo ambiental que tem a preocupação que usou a energia renovável. Então, a certificação é uma maneira de conseguir dar rastreabilidade deste atributo, então isso ajuda a viabilizar alguns investimentos”, explica.

Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, a produção dos 295 quilos desenvolvidos pela EDP no Complexo Termelétrico do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará, teve a energia solar como matéria-prima. Já os 730 quilos de hidrogênio de Furnas foram feitos a partir de energia solar e hidráulica na planta de Itumbiara, no Triângulo Mineiro, em Minas Gerais.

De acordo com a Eletrobras Furnas, a planta de hidrogênio verde de Itumbiara foi a primeira a entrar em operação no Brasil, em dezembro de 2021. Atualmente, a produção acumulada desde o início da operação ultrapassa 3 toneladas de hidrogênio renovável. A capacidade de produção é de cerca de 100 kg/dia. Tanto a Eletrobras Furnas quanto a EDP devem utilizar o combustível para testes nas próprias fábricas.

Certificação do hidrogênio renovável no Brasil

A certificação do hidrogênio verde foi lançada pela CCEE em dezembro de 2022, para comprovar que o hidrogênio produzido nas plantas piloto foram realizados a partir de fontes renováveis. O certificado segue o padrão europeu. Atualmente, a organização está desenvolvendo uma segunda versão do sistema de certificação, com o apoio do Banco Mundial.

Paralelamente, a certificação e regulação do mercado do hidrogênio de baixo carbono está em fase de estruturação a partir de projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional.

Para o senador Fernando Dueire (MDB-PE), o desenvolvimento da indústria do hidrogênio verde no Brasil vai exercer um papel fundamental para a neoindustrialização brasileira. “Os grandes players internacionais, as grandes empresas que lidam com o combustível do futuro, com o hidrogênio verde, estão muito atentas ao Brasil. Atentas exatamente por causa do seu potencial de energia renovável”, contextualiza.

O senador explica como isso vai impactar o progresso industrial do país: “É possível que nós tenhamos aqui grandes plantas, onde nós vamos ter condição de exportar o hidrogénio verde para outros países, mas também o beneficiamento através de outras indústrias. Isso cria um círculo virtuoso, porque você começa com um efeito multiplicador muito grande para que nós tenhamos o desenvolvimento dessa indústria, que é uma indústria fabulosa e que vai permitir ao Brasil sua reindustrialização”, afirma.

Existe também um projeto de regulamentação que está sendo elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

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Fonte: Brasil 61

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