Mais de 28% dos empresários da indústria trocariam escoamento de produtos para modal ferroviário, aponta pesquisa

Mais de 28% dos empresários da indústria transfeririam suas operações de escoamento de produtos para o modal ferroviário, se as condições estruturais entre os modais de transporte fossem iguais. É o que aponta pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre infraestrutura, divulgada nesta terça-feira (18). 

No entanto, não fazem isso porque consideram que o modal ferroviário apresenta as piores condições entre os tipos de transportes. Cerca de 31% dos empresários avaliam o transporte por trens como ruim ou péssimo. Segundo Matheus de Castro, gerente de Transporte e Mobilidade Urbana da CNI, o Brasil já tem condições de diversificar a matriz de transporte, concentrada nas rodovias, e expandir o transporte por trilhos. 

“A aprovação do novo marco legal [das ferrovias] e a possibilidade de autorizações para exploração privada das ferrovias trouxe essa nova modalidade de investimento privado. Até então, nós tínhamos basicamente concessões ferroviárias e, hoje, nós estamos aguardando que esses investimentos privados por meio de autorizações de fato se concretizem e, aí sim, o nosso empresariado industrial vai poder utilizar as ferrovias em uma maior magnitude e não apenas para o transporte de poucas cargas, como é feito hoje”, avalia. 

O principal motivo para transferir a operação para outro tipo de modal foi a redução de custos, apontada por 64% dos empresários. Os entrevistados também elencaram como principais causas a agilidade e rapidez na entrega (16%) e a maior segurança no transporte (5%).

Arte: Brasil 61

Modais e logística nas indústrias

Segundo a pesquisa, 98% das empresas utilizam o modal rodoviário para escoar a produção. Dividindo o segundo lugar como modais mais utilizados pelas indústrias estão o aéreo e o portuário, com 25%; o ferroviário, 6%; a cabotagem e o hidroviário, 5%. 
Matheus de Castro afirma que o Brasil tem potencial para equilibrar a matriz de transporte.

“Nenhum outro país continental como o Brasil utiliza tanto o transporte rodoviário como a forma principal de movimentação de cargas e até mesmo pessoas. Nós temos, por exemplo, distâncias percorridas em média, a depender da região, acima de mil quilômetros e isso é uma ineficiência. Não faz sentido o modal rodoviário ser utilizado em distâncias tão longas. Nós poderíamos ter, sim, mais ferrovias e outras formas de transporte”, diz. 

Ao avaliarem os serviços de infraestrutura em relação a cada modal que a empresa utiliza, 67% dos industriais disseram que as condições do transporte aéreo são ótimas ou boas. As condições dos portos também são boas ou ótimas para 50% dos empresários. Esse percentual é de 46% no caso das rodovias; 33% das hidrovias; e 31% das ferrovias. 

A distância média entre o local de produção e o destino de venda dos produtos é de 885 quilômetros. A distância mais comum da produção até a entrega, no entanto, está compreendida entre 101 e 500 quilômetros. 

Para 73% dos industriais, o maior gargalo do setor de infraestrutura está no serviço de transporte, aponta pesquisa

Avaliação dos serviços de infraestrutura

Para 56% dos empresários, as condições de infraestrutura para as indústrias de suas regiões são boas ou ótimas. Para 36%, são regulares. Apenas 9% avaliam como ruins ou péssimas. 

Quando questionados sobre a qualidade de cada um dos serviços de infraestrutura, os empresários consideraram o segmento de energia o melhor. Para 65% deles, as condições do serviço de energia são ótimas ou boas. Também foram tidos como ótimos ou bons para a maioria dos entrevistados os serviços de telecomunicações (60%) e transporte aéreo (56%). 

A pesquisa também quis saber se as condições dos serviços de infraestrutura melhoraram, ficaram iguais ou pioraram. O serviço de telecomunicações foi o mais bem avaliado. Segundo 48% dos empresários, as condições melhoraram. Em seguida, para 41%, melhorou o transporte por rodovias e estradas. Em terceiro lugar, com 38%, a energia. 

Amostra

O levantamento foi feito com 2.500 empresários de médias e grandes indústrias, nos 26 estados e no Distrito Federal, sendo 500 de cada região do país. As entrevistas ocorreram entre 23 de junho e 9 de agosto. 

Fonte: Brasil 61

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